A teoria e a revolução

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Pretendemos demonstrar na obra Revolução Espírita – a teoria esquecida de Allan Kardec que a doutrina dos espíritos defende e fundamenta uma revolucionária moralidade descoberta na era moderna, a autonomia moral ou o autogoverno.

Durante milênios, as religiões tradicionais e seu clero sustentaram a moral como sinônimo de submissão a um deus que castiga e condena por toda a eternidade aqueles que ousam enfrentar suas ordens, perdoando e deixando todas as recompensas aos obedientes e submissos, quando chegasse o fim do mundo. Essa é a tese da heteronomia.

Todavia, afirma o espiritismo, a transformação do nosso mundo, superando o predomínio do mal e abrindo nova era para a humanidade, não se dará por uma intervenção divina, mas pela adesão voluntária e consciente de cada ser humano. A autonomia estará estabelecida quando os indivíduos se reconhecerem livres e responsáveis, agindo de forma solidária ao seguir à lei presente em sua consciência, e não obedecendo aos outros homens. Essa mudança de paradigma representa aquela modificação na disposição moral capaz de regenerar a humanidade, como previu Kardec.

Surgida na época em que os dogmas caiam no descrédito, a teoria espírita é moderna, progressista, liberal, adequada para extinguir os equívocos do velho mundo, de tal forma que “não é o Espiritismo que cria a renovação social, é a maturidade da Humanidade que faz dessa renovação uma necessidade.” (Revista Espírita edição 66, pág. 196). Assim, a regeneração da humanidade ocorrerá progressivamente, pela conscientização do homem novo.

Deste modo, a vocação revolucionária do espiritismo está nessa mudança de paradigma quanto ao princípio moral. No entanto, o entusiasmo de Kardec não corresponde ao que hoje se divulga como sendo sua doutrina. Como bem viu o filósofo Herculano Pires em , o espiritismo tem sido considerado como uma “seita comum, carregada de superstições. Muitos o veem como uma tentativa de sistematização de crendices populares, onde todos os absurdos podem ser encontrados”, concluindo que, “na verdade os seus próprios adeptos não o conhecem (…). O espiritismo, nascido ontem, nos meados do século passado, é hoje o grande desconhecido dos que o aprovam e o louvam e dos que o atacam e o criticam”.

Sejam opositores ou simpatizantes, adeptos ou divulgadores, todos desconhecem o verdadeiro espiritismo. A teoria revolucionária dos espíritos está esquecida.

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