Para QUEM serve o espiritismo

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A teoria moral espírita original, que está fundamenta pelo conceito de autonomia moral, não é um conjunto de regras para ser seguido como crença cega. A grande maioria das igrejas e seus cleros pregam a obediência e submissão como condição para aquele que deseja ser salvo.

O espiritismo, por sua vez, afirma que, para que se possa aproveitar dos ensinamentos dos espíritos é preciso ter um entendimento perfeito de suas ideais. Segundo Allan Kardec, “a fé cega já não é deste século, tanto assim que precisamente o dogma da fé cega é que produz hoje o maior número dos incrédulos. Os incrédulos da fé cega, porém, aceitam sanar suas dúvidas desde que sejam convencidos sem abrir mão de duas prerrogativas: “o raciocínio e o livre-arbítrio”.

Na proposta moral espírita, “a criatura então crê, porque tem certeza, e ninguém tem certeza senão porque compreendeu”. Essa fé não se dobra porque “fé inabalável só o é a que pode encarar a razão, em todas as épocas da humanidade” (O Evangelho segundo o Espiritismo, p.256). Ou seja, para ter uma fé racional é preciso compreender claramente o que se aceitará. É esse, portanto, o resultado ao qual conduz o espiritismo, ajudando na superação da incredulidade.

O que poderia fazer a teoria moral espírita para os religiosos que aceitam passivamente as determinações do clero? É certo que ao exigir a reflexão, a autonomia moral é incompatível com os dogmas religiosos, sejam católicos, protestantes ou outros. Kardec propõe: “Se temeis que o espiritismo perturbe vossa consciência, não vos ocupeis dele. Ele não se dirige senão àqueles que vêm a ele livremente, e que dele têm necessidade” (Revista Espírita 67, p.186).

Kardec percebeu, assim, a enorme força que o espiritismo tem para servir aos incrédulos que não aceitam as religiões positivas em virtude de sua exigência de uma crença cega. Atualmente, muita gente que formou seu conhecimento a partir da cultura materialista vigente, por mais que esteja cansado dessa negação do materialismo, não tem compatibilidade alguma com a exigência de fé cega das religiões.

Ou seja, o espiritismo “não se dirige àqueles que têm uma fé qualquer e a quem essa fé basta, mas àqueles que não a têm ou que duvidam e lhes dá a crença que lhes falta”. A proposta espírita, quando conquistada pelo esforço racional de compreender as leis que regem o mundo moral, altera completamente toda concepção heterônoma de que devemos obedecer à lei de Deus para receber dele a recompensa, dando a cada um a responsabilidade de conduzir sua evolução espontaneamente, compreendendo as circunstâncias de sua vida, sem esperar nada em troca.

Dessa forma, a crença racional que o espiritismo dá não é “mais a do catolicismo do que a do protestantismo, do judaísmo ou do islamismo, mas a crença fundamental, base indispensável de toda religião” (Id.). Essa base indispensável representa a religião natural, a união de todos os homens com o objetivo de estabelecer a harmonia social.

1 comentário


  1. Gostei da explanação. Acrescentaria que, apesar de não fazer o bem aguardando recompensa, o espirita sabe que o caminho do bem o leva a um bom caminho. Isso não ocorre como consequência da violação das leis de Deus. O caminho do bem nos leva a um bom destino, o caminho do erro a consequências mais ou menos desagradáveis pela necessidade de correção.

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