Os exilados (2): a chegada dos espíritos de outro planeta

Tempo de leitura: 7 minutos

Como vimos no anterior post, Os exilados: Será o fim do mundo?, os espíritos superiores estudaram, elaboraram modelos e compreenderam as leis que regem a evolução dos mundos habitados. Estudando os orbes em diferentes estágios, chegaram ao seguinte esquema simplificado, para nosso entendimento:

  • Primeira fase: mundo primitivo.
  • Segunda fase: mundo de expiações e provas.
  • Terceira fase: mundo de regeneração.
  • Quarta fase: mundo feliz.

Esse processo evolutivo dos mundos está explicado em nossa obra Revolução Espírita, cuja leitura sugerimos, mas aqui vamos dar um desenvolvimento diferente, quanto a essa lei natural.

O mundo primitivo foi o que ocorreu em nosso planeta durante o surgimentos do homem, pela evolução dos hominídeos, a família da ordem dos primatas que deu origem à única espécie que sobreviveu atualmente, a nossa: homo sapiens sapiens.

Não é correto dizer que evoluímos dos macacos, pois eles formam outra família de espécies. Os hominídeos incluíam os extintos neandertais, australopitecos e também a nossa. Há cerca de setenta milhões de anos, quando surgiram os primatas, seguiram caminhos evolutivos diferentes os hominídeos e os pongídeos, que inclui as espécies atuais como gorilas, chimpanzés, orangotangos e os gibões.

A principal diferença dos hominídeos foi a postura ereta, a locomoção pelos dois pés no solo, diferente dos pongídeos que se deslocavam com a ajuda dos 08 exilados homobraços. Depois foram surgindo comportamentos próprios como a confecção de instrumentos, como as lascas de pedra, vasilhas, e também a linguagem verbal. Há um milhão de anos, dominaram o fogo, fazendo suas fogueiras na caverna, mantendo-se aquecidos e cozinhando.

Em determinado momento desse processo evolutivo da espécie humana, na transição desde os animais, seus ancestrais, começaram a encarnar os espíritos humanos. A diferença é que, enquanto a alma dos animais transmigra depois da morte para outro corpo, numa evolução sem noção de tempo, a alma humana permanece consciente de si mesma, e passa a conhecer o mundo espiritual após a morte. Aos poucos, desde as suas primeiras vidas, a alma humana explora, aos poucos, o ambiente do planeta após a morte. Inicialmente, dizem os espíritos, ficam próximos dos seus congêneres, ali na segurança da caverna. Só com muitas e muitas vidas é que vai despertando a inteligência e o senso moral, junto ao desenvolvimento do livre-arbítrio, a partir do qual passa a ser senhor de suas escolhas.

A moral, verdadeiramente, é uma conquista evolutiva. Quando o espírito nada sabe, ainda não compreende, age por instintos. Esse impulso natural o guia adequadamente. Aos poucos, vai adquirindo consciência, e então compreende o que deve o não fazer. O guia seguro dessas descobertas é a sua consciência. As leis de Deus estão nela gravadas. Está em si mesmo o guia seguro de seu desenvolvimento. A verdadeira moral se estabelece por um processo de autonomia.

Mas os desafios da vida primitiva são pesados e instintivos. Os primeiros humanos seguiam um modo de viver natural de sua espécie. Os avanços foram lentos. Toda a população de almas que reencarnavam em nosso planeta estavam vivenciando essa experiência pela primeira vez, como explicam os espíritos em O evangelho segundo o espiritismo:

“As raças a que chamais selvagens são formadas de Espíritos que apenas saíram da infância e que na Terra se acham, por assim dizer, em curso de educação”

Um fato extraordinário, porém, estava por acontecer.

Enquanto em nosso planeta os homens primitivos dividiam as florestas, savanas e geleiras com os animais, caçando e colhendo frutos selvagens para se alimentar, se abrigando em cavernas, mudando de lugar assim que os recursos se escasseavam, um outro planeta distante, com afinidades com a nossa humanidade, vivenciava uma fase muito a frente em sua evolução.

Nesse outro planeta, seus habitantes já conheciam o progresso da tecnologia. Viviam o conforto de quem compreendeu as leis naturais para aplacar a fome, o frio, gerar abrigos seguros e tudo o que hoje boa parte de nós usufrui. Mas a humanidade desse planeta já havia adquirido uma compreensão melhor dos valores morais, da solidariedade, da necessidade de oferecer condições iniciais da vida para todos os indivíduos, dando grande valor à igualdade e à liberdade. Substituindo os privilégios pela oportunidade igual para todos, esse mundo vivenciavam uma salutar regeneração de seus habitantes. A grande maioria das pessoas, antes agindo de forma egoísta, compreenderam o valor da solidariedade, a segurança e bem estar que se conquista com ele, e abandonaram o pensamento fixo em si mesmo.

Um parte desses indivíduos, no entanto, impregnados do egoísmo e orgulho, não queriam abrir mão do poder e dos privilégios. Sua condição moral não estava mais adequada a esse planeta, eles destoavam da maioria, estavam perdendo a oportunidade de continuar ali, não por castigo, mas em virtude da evolução natural das coisas. Seguindo então, essas leis naturais, tornaram-se exilados desse planeta, passando a reencarnar em nosso mundo primitivo, a Terra há mais de dez mil anos passados.

Para eles, esse fato foi um marco terrível. De forma alguma eles retroagiram ou deram um passo atrás na evolução, isso não ocorre. Em verdade eles se tornaram incompatíveis com a fase evolutiva na qual a maioria de sua humanidade se empenhava. Eles estavam em busca da felicidade merecida, e nada pode impedir esse destino planejado por Deus.

Os exilados representaram os espíritos em expiação em nosso planeta, e foram eles mesmos que deram início ás primeiras civilizações da Terra. E é exatamente esse detalhe que escapa de quem estuda o espiritismo. Apesar de nosso planeta estar vivenciando a fase de expiações e provas, a grande maioria dos espíritos não estão nessa condição. Explica o Evangelho segundo o espiritismo:

Entretanto, nem todos os Espíritos que encarnam na Terra vão para aí em expiação. As raças a que chamais selvagens são formadas de Espíritos que apenas saíram da infância e que na Terra se acham, por assim dizer, em curso de educação, para se desenvolverem pelo contato com Espíritos mais adiantados.

A tarefa dos exilados seria ensinar as massas de almas primitivas da Terra. Continua a explcação dos espíritos:

Os Espíritos em expiação, se nos podemos exprimir dessa forma, são exóticos, na Terra; já tiveram noutros mundos, donde foram excluídos em consequência da sua obstinação no mal e por se haverem constituído, em tais mundos, causa de perturbação para os bons. Tiveram de ser degradados, por algum tempo, para o meio de Espíritos mais atrasados, com a missão de fazer que estes últimos avançassem, pois que levam consigo inteligências desenvolvidas e o gérmen dos conhecimentos que adquiriram. Daí vem que os Espíritos em punição se encontram no seio das raças mais inteligentes. Por isso mesmo, para essas raças é que de mais amargor se revestem OS infortúnios da vida. E que há nelas mais sensibilidade, sendo, portanto, mais provadas pelas contrariedades e desgostos do que as raças primitivas, cujo senso moral se acha mais embotado.

A missão dos exilados era a de libertar os povos primitivos, explicando que a lei que rege o mundo espiritual é a da autonomia intelecto moral. No entanto, eles, em virtude mesmo do egoísmo e orgulho que se revestiam, dominaram os povos que aqui encontraram, considerando-os submissos, e fazendo uso deles para favorecer seus desejos de poder e privilégio. Mas essa é outra história. Vamos parando por aqui. Num próximo post dessa série Exílio, continuaremos. Até lá!

12 Comentários


  1. Adorei !!! Não vejo a hora de comprar seu livro Revolução Espírita.Acompanho seu programa na RBN e aprendo muito com você. Assisto suas palestras pelo YouTube. Parabéns por seu trabalho !!!

    Responder

    1. Obrigado, Gislene, espero que o livro possa lhe trazer questionamentos e reflexões quando puder lê-lo!

      Responder

  2. Muito boa a analise Paulo. Espero ainda estudar sua obra. Você abordou muito bem a questão dos exilados que tinham em si o status de espíritos em estágio de provas e expiações, que vieram para nossa Terra primitiva ajudar no seu desenvolvimento, mas nos perdemos nas lutas pelo poder (inútil) e escravizamos e distorcemos mentes primitivas. Assim como abordou isto, interessante esclarecer que a vinda aqui dos primeiros espíritos primitivos humanos na fase primitiva da Terra, foram aqueles que atingiram nos orbes mais evoluídos, a última fase da escala animal, nesses planetas.

    Responder

    1. Realmente, Marcio, todos os espíritos evoluem seguindo uma trajetória de simples e ignorantes, com um destino bom, sábio e feliz. O que muda são as diferentes rumos determinados pelas escolhas de cada um. Somos um projeto de nós mesmos. Absolutamente autônomos, segundo a lei universal.

      Responder

  3. Muita atenção! Observe o que afirma: “Apesar de nosso planeta estar vivenciando a fase de expiações e provas, a grande maioria dos espíritos não estão nessa condição. Explica o Evangelho segundo o espiritismo: Entretanto, nem todos os Espíritos que encarnam na Terra vão para aí em expiação. As raças a que chamais selvagens são formadas de Espíritos que apenas saíram da infância e que na Terra se acham, por assim dizer, em curso de educação, para se desenvolverem pelo contato com Espíritos mais adiantados.”. “Mais adiantados”, não significa que não necessitam de provas e expiações! a Obra ‘O Evangelho Segundo o Espiritismo’, quando afirma que nem todos estão no Planeta por este motivo, se refere tão somente aos povos selvagens. É justamente o contrário do que o Post informa, pois a grande maioria está sim, cumprindo suas provas e expiações. A minoria é que “apenas saíram da infância”. Atenção! Outra coisa extremamente importante, é observar que todo o Post, exceto, óbvio, quando cola os textos de ‘O Evangelho Segundo o Espiritismo’, vem grafando Espírito com “e” minúsculo, criando uma dúvida entre Espírito e Princípio Inteligente. Com o devido respeito, mais um pouco de atenção, ajudará muito.
    Fiquem com Deus.

    Responder

    1. Há um contexto importante na análise dos livros de Kardec para interpretar os ensinamentos dos espíritos. Eles foram escritos em meio a uma cultura em diversos pontos bastante diversa da atual. Na ciência, por exemplo, existia o conceito de raças, e a divisão entre povos primitivos e civilizados, seguindo uma caracteristica normalmente citada como eurocentrismo. Quanto foram os exilados? Quantos espíritos tiveram sua primeira encarnação aqui na Terra? Quantos que foram primitivos neste mundo hoje já desenvolveram cultura e participam da civilização? Os fatos originais estão há milênios de distância, e uma transposição dos fatos narrados pelos espíritos como formadores dos primeiros povos, não podem ser utilizados para descrever a atual sociedade. Sugiro a leitura do próximo post, no qual trataremos dessa questão!

      Responder

  4. Muito bom o texto. Simples e explicativo. Mas não vi menção da obra “Exilados de Capela”, que descreve com maior profundidade tudo o que aqui consta. Acho q valeria uma menção. Abs

    Responder

    1. Nossa abordagem no post, Tatiana, como também no livro “Revolução Espírita”, está restrita à doutrina espírita como proposta nas obras de Kardec. As diferentes abordagens feitas ao longo dos últimos cento e cinquenta anos, são tentativas de interpretação. O autor citado fez a sua, na obra indicada. Cada um dos que se se interessarem podem fazer as suas pesquisas. E pelo diálogo nos aproximamos do entendimento. Somos todos estudantes!

      Responder

  5. Amei os ensinamentos todos nós somos sempre carente de encino pq jamais deixemos de aprender estamos numa escola ..terra ..por isto aqui estamos grato.

    Responder

    1. Fico feliz em saber q.estamos tendo como aprender todos nós aqui neste.planeta .precisamos de um SOCORRO espiritual.TEMOS seres menos esclarecidos que muito precisam de ajuda auxílio espiritual. Grato amém.

      Responder

      1. O único caminho, Laice, está em dar oportunidades para todos, condições adequadas de vida e liberdade de escolha para cada um que nasça neste planeta. Essa é a tarefa de todos nós, até que a liberdade, igualdade e fraternidade sejam as leis naturais de nossa civilização. Mãos à obra!

        Responder

  6. Oi, Paulo! Recordo-me que no congresso que acompanhei a respeito do seu novo livro, vc dizia, que conviveucom o saudoso Francisco C.Xavier. Então, é obvio que é do seu conhecimento a obra psicografada por este médiun maravilhoso, a obra CHAMADA: A caminho da luz,do espírito Emmanuel. Os fatos ali exposto por este espírito,é muito claro , não deixa dúvida na interpretação, quanto o caso dos exilados do Sistema de Capela, também não deixa dúvida nas outras explanações, dque ali o espírito aborda . com

    Responder

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *