O primeiro livro espírita brasileiro não tinha nada de ingênuo ou igrejeiro

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O primeiro livro espírita brasileiro é atual e surpreendente! Foi escrito em 1865 (Kardec estava em pleno vapor), por Manuel de Araújo Porto-Alegre, “Cartas sobre o Espiritismo”, veja como ele tratou sobre políticos e corrupção no seguinte trecho:

“Todos os males do Brasil provêm da ambição dos seus guias, do egoísmo da maioria dos homens políticos, e da indolência e credulidade do povo, que é como todos os povos enganados. Raríssimos têm sido os deputados que sacrificaram a sua votação futura à verdade.

Brasileiros, não vos fieis nesses apóstolos imberbes, que tudo bem em si, nesses sustentáculos sem raízes, e sem experiência, que se fingem zelosos pelo nosso bem, e vos dizem que vão construir no momento em que derrubam. Não vos fieis nesses leiloeiros de venturas, que vos dizem: darei a quem mais me der; não acrediteis nesses messias da liberdade, que vos pintam na escravidão porque a vossa liberdade nunca foi ameaçada pelo Governo, mesmo nos tempos em que alguns despeitados sonharam toda a espécie de quimeras, pegaram em armas e ensanguentaram a terra. (…) Conservadores e Liberais, e outros nomes mutáveis como o vento, não são mais do que rótulos temporários de interesses individuais, pois que os fatos ali estão. O programa político (…). Raros são os juramentos políticos que não têm restrições mentais; e tais restrições só podem ser aceitas por essa teologia capciosa, que inverte a verdade revelada”.

Você pode ler essa obra de Porto-Alegre na íntegra no apêndice de Revolução Espírita – a teoria esquecida de Allan Kardec, por Paulo Henrique de Figueiredo (antes dessa tradução permaneceu em cartas manuscritas no Museu Nacional por mais de 150 anos).

2 Comentários



  1. Isso nos mostra que o período imperial do Brasil não foi muito bom. Tenho simpatia pela monarquia, embora não seja reacionário, e sempre acreditei na grandeza e honestidade de D. Pedro II. Parece que não foi bem assim…

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