A defesa consciente do legado de Allan Kardec

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Por Antonio Leite (Nova Iorque)

As provas de origem primária e irrefutáveis que o Paulo Henrique de Figueiredo carreou para o bojo de sua extraordinária obra de pesquisa, Revolução Espírita, a teoria esquecida de Allan Kardec, as quais são agora efusivamente referendadas e de forma irretocável, porém apenas em parte, pela excelente obra de Simoni Privato Goidanichi, El Legado de Allan Kardec, certamente despertarão nos espíritas em geral um grande interesse pelo estudo do conjunto das obras de Allan Kardec. E é bom que se diga que esta é a única forma de se separar o joio do trigo, pois o terreno está imensamente minado. Muito mais do que pensam aqueles que imaginam conhecer o verdadeiro Espiritismo apenas comparecendo semanalmente a um centro espírita.

As denúncias de adulterações e deturpações na obra de Allan Kardec não é um assunto recente, de fato elas se fazem presente no movimento espírita desde o seu início. As maravilhosas obras do Professor J. Herculano Pires está repleta de advertências quanto aos desvios de rumo do movimento espírita nesse particular, tendo ele inclusive atacado de frente dois casos bem conhecidos que foram registrados nas obras, Na Hora do Testemunho e O Verbo e a Carne. Ademais, os próprios espíritos que assistiram Allan Kardec no trabalho missionário da codificação da Doutrina dos Espíritos, nos alertaram sobre os tempos difíceis que se nos apresentariam no futuro, nos advertindo para que permaneceremos vigilantes à forças retrógradas que procurariam a todo custo minar os ensinos revolucionários e regeneradores do Espírito da Verdade.

É natural que denúncias tão devastadoras como as trazidas por esses dois dedicados pesquisadores espíritas em suas obras, fazem sacudir as estruturas dessas forças reacionárias pelo muito que elas têm a perder em seu poderio sobre as mentes de espíritas desavisados.

Esses dois dedicados pesquisadores espíritas em vez de “denegrir a imagem de pessoas respeitáveis” estão na verdade procurando enaltecer o trabalho e a dedicação de pioneiros valorosos e leais que lutaram lado a lado com Allan Kardec na tarefa missionária de trazer à humanidade os conhecimentos libertadores da Doutrina dos Espíritos e do Espírito da Verdade. Pioneiros esses que permaneceram ao lado do codificador nos momentos mais difíceis da sua jornada terrena e da mesma forma se mantiveram ao seu lado na luta sem trégua para preservar a sua obra dos assaques da incúria e da traição. Esses mesmos pioneiros certamente estão ao lado desses dois jovens escritores espíritas, intuindo-os nesta louvável e urgente tarefa de resgatar a obra de Kardec em sua inteireza, pois só assim ela nos livrará das garras predatórias daqueles que pretendem manter a humanidade na ignorância.

Tudo está muito claro em ambos os trabalhos de pesquisa desses dois valorosos jovens escritores espíritas, não precisamos ser grandes cientistas para entender o óbvio, basta ter olhos para ver. Não se trata de “assunto que o bom senso há muito tempo se encarregou de sepultar” e muito menos de “probabilidades”. Certamente não foi essa a atitude do codificador, ele sim considerado o “bom senso encarnado”, ao nos orientar em nossos estudos direcionados na busca da verdade.

Ao se debruçarem nas pesquisas que culminaram nessas duas extraordinárias obras, acredito sinceramente terem eles dado o melhor de si através de muita dedicação e humildade para nos ajudar na senda do conhecimento da verdade espírita que se nos apresenta incólume nas obras originais coligidas pelo Mestre de Lyon. Eles de forma alguma se arvoram em baluartes da “autoridade moral”, ao contrário, eles simplesmente nos convida ao escrutínio de suas obras e da obra adulterada para que possamos tirar as nossas próprias conclusões.

Assim, cabe a cada espírita sincero a responsabilidade de estudar as obras de Kardec, “a única fonte verdadeira do saber espírita”, pois é certo que “Quem não ler e estudar essas obras com humildade e vontade legítima de aprender, não conhece o Espiritismo”. É a advertência deixada por aquele que foi considerado entre nós “o Apóstolo de Kardec”, o saudoso Professor J. Herculano Pires.

 

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