Kardec e Herculano Pires alertam: para combater o Espiritismo de dentro basta cruzar os braços, sorrir amarelo e concordar para não contrariar

Tempo de leitura: 11 minutos

Allan Kardec tinha consciência e também foi avisado pelos espíritos de que a teoria libertadora do Espiritismo seria combatida por espíritos e homens interessados em manter a humanidade ignorante, submissa e atrasada. Mergulhados nas imperfeições derivadas de seu orgulho e egoísmo, sedentos por privilégios e servilismo, cientes das grandes responsabilidades pessoais e do longo trabalho de reconstrução de suas personalidades à qual deverão empreender por livre vontade, resta-lhes a tentativa de atrapalhar, atrasar o esforço alheio, pela ilusão de não se verem sozinhos no estado de sofrimento a que se reduziram.

Em 1867, por meio de um médium em profundo estado sonambúlico, Kardec ouviu dos espíritos uma longa narrativa profética dos planos traçados para tentar destruir o doutrina espírita. Desde os insultos e ameaças dos púlpitos até a difamação nos órgãos de imprensa, todos os esforços se voltariam contra a doutrina da liberdade. Mas um passo decisivo seria dado, revelou a profecia, quando os inimigos pensaram sobre o Espiritismo:

“Antes que ele não esteja inteiramente realizado, tratemos de desviá-la em nosso proveito” (Revista Espírita de 1867, página 167).

O plano estava mudado, ao invés de atacar o espiritismo de fora, imitando o episódio histórico do cavalo de Tróia, agora a tentativa seria ataca-lo por dentro, por meio daqueles que participam do movimento de sua divulgação. Vejamos o que os espíritos disseram à Kardec:

“Vereis se formarem reuniões espíritas, cujo objetivo declarado será a defesa da doutrina, e o secreto será a sua destruição; supostos médiuns terão as comunicações de comando apropriadas ao oculto objetivo que se propõem; publicações que, sob o manto do espiritismo, se esforçarão por demoli-lo; doutrinas que lhe emprestarão algumas ideias, mas com o pensamento de suplantá-lo. Eis a luta, a verdadeira luta a ser sustentada, e que será perseguida com obstinação, mas da qual sairá vitorioso o mais forte” (Idem, ibidem).

O Espiritismo, de forma inédita e definitiva, oferece uma teoria moral renovadora, transformadora. Diferindo de todas as tradições religiosas em seus ensinamentos metafísicos, ele afasta as ideias de queda, castigo divino, degeneração do mundo, condenação, sofrimento como punição, enfim, toda a doutrina do pecado. Em seu lugar oferece a verdadeira relação de Deus conosco como sendo estabelecida pela mais plena liberdade. A moral é uma conquista do esforço pessoal, da luta por renovar-se, o Espiritismo revela a autonomia moral como lei fundamental do mundo espiritual. Contamos toda essa história na obra Revolução Espírita – a teoria esquecida de Allan Kardec.

Essa profecia de 1867 foi um alerta para o futuro do movimento espírita. Falsas teorias, médiuns fascinados, deturpações e mistificações seriam incorporadas ao discurso das tribunas e letras dos artigos deturpando a mensagem original.

Kardec não sabia que a doutrina que estabeleceu em suas obras iria atravessar o oceano e chegar amplamente divulgada em terras brasileiras. No entanto, a profecia dos planos para destruir o Espiritismo se fez plena e ampla por aqui, desde os tempos de sua chegada no século 19.

Nem todos, porém, se calaram! Lideres e estudiosos da doutrina espírita clamaram pela tese espírita da liberdade, da educação, da autonomia moral, em defesa dos conceitos fundamentais originários dos espíritos superiores. Avisaram aos participantes do movimento espírita de que seria fundamental seguir as orientações de Kardec na defesa do Espiritismo, como o alerta que o mestre fez em 1865:

“É um dever para todos os espíritas sinceros e devotados repudiar e desaprovar abertamente, em seu nome, os abusos de todos os gêneros que poderiam comprometê-la, a fim de não lhes assumir a responsabilidade. Pactuar com esses abusos seria tornar-se cúmplice e fornecer armas aos nossos adversários” (Revista Espírita de 1865, p.20).

Kardec não entrava em polêmicas pueris, não dedicava seu tempo a tentar convencer quem não combatia o Espiritismo, não respondia cartas anônimas. Investia seu tempo em esclarecer os interessados, aqueles que desejavam compreender mais profundamente essa doutrina. E não fugia do debate quando os pontos fundamentais eram deturpados, ou os meios de comunicação anunciavam inverdades:

“Há polêmica e polêmica; e há uma diante da qual não recuaremos jamais, que é a discussão séria dos princípios que professamos. Entretanto, aqui mesmo há uma distinção a fazer; se não se trata senão de ataques gerais, dirigidos contra a Doutrina, sem outro fim determinado que o de criticar, e da parte de pessoas que têm um propósito de rejeitar tudo o que não compreendem, isso não merece que deles se ocupe” (Revista Espírita de 1858, p. 199).

No século passado, os conselhos de Kardec foram ouvidos por diversos estudiosos espíritas. Uma dessas vozes conscientes, desses influentes líderes altivos, sinceros e dedicados à causa espírita foi o filósofo Herculano Pires. Suas obras, conquistas perenes de um trabalho árduo heculano_microfonee incansável e quase solitário foi um exemplo, um modelo, uma inspiração para as novas gerações de espíritas. Sua dedicação ao recobramento do Espiritismo tal como proposto por Kardec tem se refletido nos trabalhos e estudos conscientes de diversos pesquisadores, palestrantes e médiuns alertas e atuantes do movimento espírita. Alguns puderam ouvir ao vivo a voz firme, consoladora e determinada das palestras, aulas e programas radiofônicos de Herculano. A grande maioria despertou o interesse e mergulhou ávido nas obras de Kardec depois de ler os importantes livros do maior filósofo espírita que tivemos. Herculano Pires é o patrono de todos que atualmente lutam para romper as amarras deturpatórias nas quais a divulgação espírita tem mergulhado.

Um alerta consciente foi dado por Herculano na obra Curso Dinâmico de Espiritismo, diante das deturpações e desvios que ele via ocorrer no meio espírita de seu tempo, e, vale lembrar, fazendo eco à profecia de 1867 dada a Kardec que citamos acima:

“Todo espírita consciente de suas responsabilidades humanas e doutrinárias está no dever intransferível de lutar contra essas ondas de poluição espiritual que pesam na atmosfera terrena. Ninguém tem o direito de cruzar os braços em nome de uma falsa tolerância que os levará à cumplicidade. Os próprios e infelizes corifeus e propagadores dessas teorias ridículas são os mais necessitados de socorro. É legítima caridade repelir todas essas fantasias em nome da verdade, mesmo que isso magoe os companheiros iludidos” (Idem, p. 98).

Não se pode ficar quieto, aceitando as coisas como estão, questionando-se: “o que se pode fazer? as coisas são assim mesmo, não vale a pena mexer, só vai me trazer problemas”. Essa tolerância é uma cumplicidade indesculpável. Não se pede o combate direto, a caça às bruxas, não! A atitude de renovação não é essa falsa defesa. Polêmicas que descambam para o personalismo, para a discussão vazia e interminável nada acrescenta. Só demonstra desunião e despreparo. Em verdade, essas são as armas da intolerância. Quando se persegue e se denuncia indiscriminadamente se cria clima tenso, onde ninguém tem razão e a causa fica à margem. Nessa situação lamentável, todos acusam, sem que estejam certos ou errados. A real solução está na reconstrução dos ensinamentos originais pela laboriosa recuperação e pelo esclarecimento por meio do diálogo, do debate produtivo, da tolerância, da liberdade de pensamento. Veja como Herculano alerta de forma enfática e sem rodeios:

“A tolerância comodista dos que veem o erro e se calam é crime que terá de ser pago no futuro. Quem pactua com o erro para não criar problemas está, sem o saber, enleando-se nas teias sombrias da mentira, compromissando-se com os mentirosos. E esse compromisso é um desrespeito a todos os que se sacrificaram no passado e se sacrificam no presente para ajudar a Humanidade na defesa dos seus direitos evolutivos. Este é o momento grave da evolução terrena em que não podemos esquecer a advertência de Jesus: Seja o teu falar sim, sim; não, não. Multidões de criaturas foram sacrificadas no passado para que a Humanidade se libertasse de seus enganos e pudesse encontrar os caminhos limpos da verdade, ou seja, das coisas reais, verdadeiras, que nos conduzem ao saber e à liberdade. Se trairmos hoje, comodistamente, esses mártires inumeráveis, estaremos conspurcando a dignidade humana, cobrindo de lixo as sendas da verdade abertas pelo Cristo e agora reabertas pelo Espírito da Verdade através de Kardec” (Idem, ibidem).

E então, definindo claramente a melhor maneira de combater o Espiritismo, como se propôs a demonstrar o título deste artigo, explica Herculano Pires:

“Não há mais lugar para comodismos, compadrismos, tolerâncias criminosas no meio espírita. Cada um será responsável pelas ervas daninhas que deixar crescer ao seu redor. É essa a maneira mais eficaz de se combater o Espiritismo na atualidade: cruzar os braços, sorrir amarelo, concordar para não contrariar, porque, nesse caso, o combate à doutrina não vem de fora, mas de dentro do movimento doutrinário” (Idem, ibidem).

Para compreender esse estado de coisas vale a pena a seguinte comparação que a esclarece. Vamos supor que o governo detectasse que as ideias equivocadas espalhadas pela multidões sobre a física estivessem prejudicando o desenvolvimento de nossa sociedade. Um plano seria proposto para reverter a situação: ensinar física por todos os meios de divulgação em mensagens simples e objetivas, explicando os conceitos básicos da física moderna, de forma a reverter os equívocos da cultura popular. Mas quem vai elaborar esses ensinamentos? Os burocratas do governo? Os políticos? Os profissionais da imprensa? Não! De forma alguma! Só seria possível construir um plano coerente de ensino da física por quem tenha estudado profundamente essa ciência. Nada mais coerente. De resto, a ação naufragaria.

O mesmo ocorre com o Espiritismo, que em seu conteúdo tem a extensão e profundidade das demais ciências. Não existem, porém, professores e especialistas no Espiritismo. Não há quem se possa qualificar como tal. Diante da doutrina espírita somos todos estudantes! Todavia, uma divulgação consciente e adequada do Espiritismo só é possível depois de um estudo profundo de toda a obra de Kardec, incluindo seus livros, a coleção da Revista Espírita, além do conhecimento do contexto cultural francês do século 19, para que os artigos e hipóteses apresentadas por Kardec façam sentido hoje, pois os paradigmas das ciências mudaram muito nos últimos 150 anos.livro-curso-dinmico

Recomendamos a leitura de obras complementares como as de Herculano, também. Elas são inspiradoras de uma atitude corajosa e responsável diante da teoria espírita. Seu alerta é atual e precisa ser divulgado, para que no futuro, com o Espiritismo recuperado e conhecido pelas multidões, secundando a regeneração da humanidade, torne esse estado de coisas descrito a seguir pelo filósofo apenas um infeliz episódio do passado:

“Bastam esses fatos para nos mostrar que o Espiritismo é o Grande Desconhecido dos próprios espíritas. E é por isso, por causa dessa negligência imperdoável no estudo da doutrina, que os próprios adeptos se transformaram em eficientes instrumentos de combate ao Espiritismo. As pessoas de bom-senso e cultura se afastam horrorizadas de um meio em que só poderiam permanecer em ritmo de retrocesso ao condicionamento das crendices e do fanatismo. No campo científico o nada não existe nem pode existir. E como a base da doutrina é a Ciência, a sólida base dos fatos, a verdade incontestável ê que o nosso movimento espírita não tem base. Se os espíritas conscientes não se dispuserem a uma tentativa de reconstrução, de reerguimento desse edifício em perigo, ficaremos na condição de nababos que desprezam as suas riquezas por incompetência para geri-las. Temos nas mãos a Ciência Admirável que o Espírito da Verdade propôs a Descartes e mais tarde confiou a Kardec. Mas do que vale a ciência e o poder, a fortuna e a glória, se não formos capazes de zelar por tudo isso e nem mesmo de compreender o que possuímos? Nós mesmos abrimos o portal da muralha e recolhemos, alegres e estultos, o Cavalo de Tróia em nossa fortaleza inexpugnável” (Curso Dinâmico de Espiritismo).

8 Comentários


  1. Concordo plenamente com este exposto… infelizmente, no meio espírita, vemos muito destas situações, facilitadores mal preparados que não admitem que se interprete com maior profundidade os ensinos espíritas, como sugerem as obras básicas…e ainda mais, com direções magnetizadas na contra-mão da proposta espírita…

    Responder

    1. Um espírito que participa de nossos trabalhos mediúnicos, diante das queixas e lamentos dos participantes que analisavam o grande desconhecimento da Doutrina Espírita, fez o seguinte comentário: “Em meio à escuridão, quanto maior sua profundidade, mais eficaz é a ação de uma pequena vela”. Somos nada mais do que isso, pequenas velas. Faça a sua parte!

      Responder

  2. Lamentável isso, a muito tempo venho pensando sobre essa situação, infelizmente o texto só veio pra concretar esse amargo caminho que alguns Espíritas estão seguindo, sinto um aperto no coração ao ver que o despertar não acontece onde deveria acontecer, sinto muito pelos milhares que vivem nessa ilusão em que o texto explanou tão bem, sinto muito por alguns “escritores” da doutrina que se deixam dominar pela matéria, colocando em segundo ou terceiro plano o que deveria estar em primeiro, sempre. Lamento muito mas não perco minha fé e coragem em enfrentar o “destruidor”, muitas vezes penso que me acho sozinho nesse caminho tão difícil e iluminado, nosso Pai Maior nôs vê, e aos irmãos de jornada que compartilham esse mesmo sentimento, peço: vamos dar as mãos em Espírito e enfrentar essa jornada com a cabeça em pé, com fé pura no coração, sabendo que não estamos construindo uma casa no céu e sim destruindo nossa morada nas colonias inferiores. Muita Paz e Luz no coração de todos.

    Responder

    1. Olá, Ademar, agradecemos suas considerações. Todavia, toda dificuldade é um desafio. O desconhecimento é um terreno fertil e apropriado para o esclarecimento. Todos somos estudantes quanto ao Espiritismo! Os professores são os espíritos superiores encarregados de transmitir a teoria dos espíritos. O estudo sério, o debate, o diálogo interessado e fraterno, o questionamento elucidador, todos são instrumentos adequados para a cooperação no sentido de resgatar a teoria esquecida de Kardec. Diante de um desafio tão grande só nos cabe agir com entusiasmo e esperança!

      Responder

  3. Perfeito. Porém me encontro agora sofrendo o repúdio do dirigente que se encontra fanático e enciumado com o trabalho de alguns colaboradores. Na tentativa de dizer a verdade, sofri a perseguição dos que não querem agir na construção de si mesmos, tratando a casa espírita como uma empresa onde aquele que discorda é convidado a se retirar. Como agir numa situação como essa?

    Responder

    1. Não é possível conhecer todas as variáveis para opinar quanto às decisões pessoais de cada um. No entanto, de forma geral, nada melhor do que agir corretamente, defender a liberdade de pensamento, o direito ao debate e a expor a dúvida. Essa é a própria razão de ser do Espiritismo. Considerando um lugar onde o fanatismo não abre espaço para a manifestação do livre pensar, o indivíduo realmente livre não precisa esperar convite para se retirar… Então, que mal há?

      Responder

  4. Concordo !!! Temos que ser determinados no bom combate as idéias esdrúxulas que se dizem espíritas. Quem ficar magoadinho é pq ainda não estudou e compreendeu a Doutrina espírita. A verdade é q verdade, deve ser sempre divulgada A mentira e a mistificação devem ser combatidas e expostas colocadas em provas para ruirem sobre sua própria inconsistência.

    Sem mimimini, sem frescura.

    Facebook com/doutrinaespiritasemfrescura

    Responder

  5. Ao tomarmos conhecimento dessas distorções que acontecem desde os momentos iniciais da elaboração da ciência espírita, realmente ficamos chocados e até um tanto quanto revoltados. É o que se percebe na essência das mensagens acima. Comigo não foi diferente, desde que comecei a pesquisar a hostória do movimento espírita a partir de Allan Kardec.

    Obviamente que após a leitura de uma obra séria e de pesquisa massiva como a do Paulo Henrique de Figueiredo, esse sentimento de indignação tende a ser ainda mais exarcebado. Todavia, definitivamente não é o que pretende o autor da obra ao empreender os esforços hercúleos na elaboração da mesma. O que ele pretende de fato é nos oferecer subsídios para que possamos penetrar mais profundamente no conhecimento da Ciência dos Espíritos e estar aptos a separar o joio do trigo. E ele coloca isto com muita clareza na referência que fez na primeira mensagem acima à advertência de um espírito, colcluindo sabiamente que “Somos nada mais do que isso, pequenas velas. Faça a sua parte!”.

    É o caso de pensarmos com espírito crítico em nossa própria direção, sobre a razão pela qual todas as revelaçãoes que a Providência nos legou ao longo da história da humanidade foram submetidas às mesmas deturpações. Será que a nossa incúria e preguiça mental não tem sido a razão?

    O apelo essencial com o qual nos deparamos ao longo da leitura de Revelação Espírita é de fato o de fazermos a nossa parte, se realmente quisermos mudar o “status quo”. E neste sentido ele nos orienta:

    “As obras primárias de Kardec são o único meio de se conhecer o espiritismo em sua origem e elas têm sido estudadas atualmente em milhares de centros espíritas, por meio de cursos, apostilas, aulas e palestras. Todavia, sem os recursos da história da ciência, muitos desses estudos ignoram amplamente o contexto da época”, (p. 361).

    E neste particular o trabalho de pesquisa desenvolvido pelo autor se excede em primazia. Ele segue rigorosamente o método de Kardec, que foi da mesma forma escorreitamente apresentado nas obras do Professor J. Herculano Pires ao longo de décadas, porém não com a mesma abrangência por falta das informações angariadas na pesquisa. Assim é que o Paulo Henrique apresenta a ciência espírita em sua real característica de conhecimento cultural inserido no contexto histórico de uma época, aspecto este que requer um conhecimento prévio e obrigatório para que possamos entender a Ciência dos Espíritos em sua ampla profundidade.

    É fundamental que despertemos para o convite enfático que o autor nos faz através da sua fantástica obra no sentido da conquista da moral autônoma. É somente por esta via que nos tornaremos de fato “pequenas velas” e efeitos multuplicadores no processo da Revolução Espírita vislumbrada pelo mestre Kardec, a qual lenta e gradualmente se processa em nosso Planeta Terra.

    “Da mesma forma que Kardec confrontou suas próprias idéias com os ensinamentos dos espíritos, e considerando caráter provisório e progressivo da doutrina espírita, também se espera dos espíriatas uma postura racional equivalente. Ou seja, o espiritismo não é algo que se admite por aceitação ou adesão, sua teoria se examina pela razão, e se aceita porque foi compreendida, dando melhores respostas do que qualquer outra que se admita. Como Kardec agia de forma racional, crítica e autônoma, esses são também os requisitos de quem queira ser espírita, permitindo-se um olhar novo, independente, em alguns casos até, de suas próprias crenças.” (…)
    Kardec execrou a chefia quanto ao seu papel no espiritismo, pois, segundo ele, ‘em tudo isto fizemos o que outros teriam podido fazer como nós’. Ou seja, ele agiu de tal forma que sua atitude pudesse ser universal. Fica mais evidente o quanto é inaceitável qualquer atitude messiânica e profética de médiuns e divulgadores, estabelecendo uma relação de liderança e submissão com seus ingênuos seguidores.
    Para ser espírita, segundo esses critérios, é preciso abandonar a preguiça de confiar que lhe digam no que deve saber ou acreditar. Abandonar a acomodação aos hábitos encanecidos. Libertar-se de pensamentos massificados e enraizados do velho mundo. O espírita é racional e moralmente autônomo. A sua é ‘fé racional’”, pp. 75/76.

    Nesta mesma linha de raciocínio tomo a liberdade de adicionar mais uma drástica assertiva do Professor J. Herculano Pires, a qual deve servir como uma grave advertência para todo espírita.

    “Esta é a Hora H do Espiritismo. Ou ele se firmará como um processo cultural legítimo, ou será asfixiado pela avalancha de sandices que sobre ele despejam, sem cessar, os pretensiosos irresponsáveis, missionários por conta própria, elaboradores de doutrinas individuais e ridículas, sugeridas pelas mentes sombrias que desejam ridicularizar a Doutrina.
    Os que se omitem por comodismo e interesses subalternos, nesta hora decisiva, cantando louvores a todos os absurdos em nome da tolerância e da fraternidade (como se essas duas palavras significassem conivência), são piores que os semeadores de joio, pois são os que estimulam e sustentam o trabalho de sapa no meio doutrinário. A eles podemos aplicar a advertência do Cristo aos fariseus, pois os ladrões e as meretrizes chegarão, antes deles, ao Reino dos Céus.” Em “O Mistério do Bem e do Mal – A Hora H do Espiritismo”, 3ª ed. Correio Fraterno, p. 152/153.

    É mais do que urgente e imperioso que assumamos o nosso papel de espíritas conscientes e efetivos para que a ciência espírita possa promover de forma ampla a Revolução Espírita que trará “a solução definitiva para a crise moral da humanidade”, como nos assevera o Paulo Henrique.

    Responder

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *