O Espiritismo afirma que Deus não foi criado mas sempre criou. Como é possível?

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O debate sobre o tempo se manteve filosófico até o século 19. Era a medida da sucessão das coisas. Sei o que é, mas não sei defini-lo, dizia Agostinho. Mas depois das ideias de grandes físicos como:

O francês Henri Poincaré (1854-1912), o neerlandês que elaborou as equações base da relatividade geral, Hendrik Lorentz (1853-1928), e o mais conhecido Einstein (1879-1955)

Esses  pensadores forjaram a física moderna, e nela o tempo se integrou com as dimensões espaciais, que eram três físicas e com o tempo, quatro. É o conceito de espaço-tempo. Ou seja, as alterações espaciais e temporais se conjugam formando a trama do universo. O tempo altera a sua passada de acordo com a velocidade. Acontece com todos nós, mas como nossa vivência ocorre em movimentos lentos, não percebemos as alterações do tempo. Mas se houvesse uma nave espacial na velocidade próxima da luz, para quem nela viajasse o tempo passaria mais devagar! Alguns anos viajando e envelheceria menos do que aqueles que ficaram na Terra. Desse modo, tempo existe em função da matéria.

Percebemos o passar do tempo porque estamos ligados desde nossa criação à matéria. Isso acontece com todos os seres, desde a menor partícula até o espírito mais evoluído. O espírito é imaterial, mas sempre percebe e se faz perceber pelo perispírito (tanto encarnado quanto desencarnado). E sempre será assim. Por isso, espaço-tempo é a nossa referência quanto a tudo e todos.

Já Deus é único, causa primaria de todas as coisas, ou seja, criador tanto da matéria quanto dos seres. Se é um só, não dá para saber como ele sente, mas conceitualmente, por não estar ligado à matéria como nós, está fora do espaço-tempo, e nada resta do que considerá-lo eterno, incriado.

Outra coisa que dá para concluir é que criou sempre, em todos os tempos. Imagine uma reta sem começo nem fim. Imagine que a cada milímetro dessa reta sai uma após a outra (como um pente). Nessa figura, a primeira reta (a base do pente) não tem começo nem fim. Mas todas as outras (como os dentes do pente) tem começo nela e não tem fim. Quanto mais longe você percorrer nessa linha (base) sempre terá outras que saem dela antes. Eternamente!

Mais do que isso, não me atrevi a pensar sobre Deus. Chega um ponto em que a razão se desgarra da imaginação, e então deixa de ser fé racional, como pensou Kant. E Kardec se serviu.

(Paulo Henrique de Figueiredo)

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